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A Primavera vai e volta sempre.



















A poucos dias de entrarmos oficialmente numa das minhas estações do ano favoritas, recordo-me da cantiga que a minha avó Maria tantas vezes cantarolava e cujo refrão dizia: "A Primavera vai e volta sempre, a mocidade vai e não volta mais".

A minha avó vivia a cantar. Cantava enquanto cozinhava, cantava enquanto costurava, cantava enquanto estendia ou apanhava a roupa da corda que ainda hoje existe no quintal dos meus pais.
Apesar de estar sempre a cantar, fazia-o de uma forma muito serena e tranquila. Lembro-me muitas vezes da sua calma (e penso como gostava de ter herdado essa característica), sobretudo naquelas alturas em que tropeço em contrariedades minúsculas, mas que, pelo menos durante alguns minutos, me parecem gigantescas.

Este bolo é para isso: um pretexto para fazermos uma pausa, para respirarmos fundo e desvalorizarmos os contratempos. Com uma fatia de um lado e uma chávena de chá do outro, fazemos tranquilamente uma viagem às coisas boas que já passaram e alinhavamos planos para o futuro. Porque mesmo que a letra da música o negasse, a minha avó sabia que a mocidade é um estado de espírito.



BOLO DE CITRINOS E PASSAS COM GLACÊ DE LIMÃO

Para o bolo:
120 g açúcar
3 ovos médios
85 g de farinha
10 g de fermento em pó
25 g de sumo de laranja + 1 pouco para demolhar as passas/sultanas
25 g de sumo de limão
25 g de azeite suave, óleo vegetal ou manteiga amolecida
Raspa de 1 laranja
1/2 chávena de uvas-passas e/ou sultanas
Vinho Moscatel qb

Para a calda:
Sumo de 1 laranja
Açúcar a gosto

Para a cobertura:
200 g de açúcar em pó
Sumo de 1 limão

Para a decoração:
Folhas de hortelã
Clara de ovo
Açúcar qb

Com algumas horas de antecedência coloque numa taça as passas e/ou sultanas e cubra com uma mistura de sumo de laranja e vinho moscatel. Também com alguma antecedência, lave as folhinhas de hortelã, seque-as bem em papel de cozinha, pincele-as com clara de ovo e passe-as por açúcar que colocou numa tacinha. Sacuda o excesso e deixe as folhas a secar sobre papel vegetal.

Entretanto ligue o forno nos 180º.
Unte bem uma forma pequena de buraco e polvilhe-a com farinha (este é um bolo relativamente pequeno, se quiser usar uma forma normal/média, dobre a receita).
Numa taça, junte os ovos, o açúcar, a raspa de laranja, o azeite (ou outra gordura escolhida), o sumo dos citrinos, a farinha e o fermento. Misture tudo, até ficar uma massa uniforme, mas não mexa em demasia. Retire as passas/sultanas da taça e seque-as com papel de cozinha. Envolva-as em farinha e junte-as à massa do bolo*. Verta a massa para a forma e leve a cozer cerca de 25-30 minutos. Faça o teste do palito antes de retirar o bolo do forno.

Para fazer a calda, junte ao sumo de laranja açúcar a gosto. Leve ao lume até o açúcar estar dissolvido. Verta com cuidado por cima do bolo. Se este já tiver arrefecido, pique-o com um palito antes de regar com a calda, para que esta se infiltre mais facilmente.
Passe o bolo para o prato de servir e deixe arrefecer completamente.

Para fazer o glacê, deite 150 g do açúcar em pó numa taça e vá juntando sumo de limão, mexendo energicamente com um batedor de varas. Deve ficar um creme brilhante, opaco e sem grumos, mas pode não precisar de usar o sumo todo. O açúcar em pó que colocou de lado pode servir para engrossar o glacê, caso ache que esteja líquido. Este glacé fica bastante ácido, se não apreciar, dilua o sumo de limão em água ou então use clara de ovo em vez do sumo. Quando atingir o ponto desejado, verter com cuidado sobre o bolo. Terminar com as folhas cristalizadas de hortelã.


*Supostamente, envolver as passas e as sultanas em farinha faz com que se prendam à massa e não desçam até ao fundo da forma. No meu caso não resultou e acabaram por ficar concentradas no topo do bolo. Para a próxima vou introduzir as passas ou as sultanas na massa já depois desta estar na forma.

Hoje há queques para o lanche.


















Quem tem filhos em idade escolar e precisa de lhes preparar lanches todos os dias, sabe que não é fácil quebrar-lhes a rotina. Os meus habituaram-se de tal forma ao pão com queijo ou fiambre + iogurte (a fruta fica para o pequeno-almoço e para o final das refeições), que sempre que lhes aceno com algo um bocadinho diferente torcem o nariz. Mas de vez em quando experimento receitas para ver se são do seu agrado, até porque nesta fase parecem estar sempre com fome! Fazem três lanches por dia, dois deles à tarde, e mesmo assim chegam à hora do jantar cheios de apetite e a fazer a mesma e invariável pergunta: "mãe, o que é o jantar?". Mesmo conhecendo a minha resposta mais frequente, que tantas vezes ouvi da minha mãe: "o jantar são línguas de perguntador." Rimo-nos e pronto: mesmo que o prato não seja um dos favoritos, já não reclamam tanto. Acho que tenho muita sorte com os meus piratas.

Estes queques não são para mandar na lancheira todos os dias, claro que não. São um mimo para de vez em quando e espero que venham a fazer parte das suas (boas) recordações de infância. Pelo menos, ficaram aprovados à primeira fornada. A receita é do livro 'Mãos à obra', da autora de um blog que sigo de forma fiel, o Saídos da Concha. A Constança Cabral, aka Concha, é uma inspiração para mim e suspirava pelo seu livro desde que saiu. No meu aniversário, um grupo de amigas atendeu aos meus desejos e, como vêem, já comecei a arregaçar as mangas ;)

















QUEQUES
(receita deste livro)

Fiz metade da receita original e rendeu-me 17 queques.
As quantidades que usei e os procedimentos que segui são os que coloco aqui.

250 g de açúcar
150 g de manteiga amolecida
6 ovos à temp. ambiente
150 ml de leite morno
250 g de farinha de trigo
1/2 colher de chá de fermento em pó

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Prepare as formas para queques, forrando-as com forminhas de papel ou cortando quadrados de papel vegetal (ficam bonitos com o papel vegetal, mas é bem mais prático usar formas de papel; concluí que a forma mais fácil de forrar as cavidades com o papel vegetal é amachucá-lo primeiro).
Bata bem o açúcar com a manteiga, até obter um creme esbranquiçado. Junte os ovos, um a um e continue a bater. Adicione o leite, mexa bem e por fim envolva a farinha e o fermento. Distribua pelas formas e leve a cozer cerca de 15 minutos (usei a função ventoinha, uma vez que coloquei dois tabuleiros no forno ao mesmo tempo e acho que assim o calor se distribui mais facilmente, mas o melhor é fazer o testo do palito, quando começarem a ficar dourados: se sair limpo, estão prontos. Retire das formas e coloque-os a arrefecer sobre uma grade.

P.S.: Esqueci-me de contar aqui no blog que estou a colaborar com o jornal Observador! De quinze em quinze dias é publicada uma receita nova saída da cozinha do Lume Brando. Vejam aqui a mais recente: minitartes de limão e framboesa.



Do meu tipo de pratos favoritos.


















Adoro um bom gratinado. Acho que é um exemplo maior da chamada comida de conforto.
E estamos em plena época dos gratinados, pois é uma forma deliciosa de utilizar os legumes de Inverno: a batata-doce, o nabo, a beterraba, a abóbora...

Tanto mais que, apesar do tempo ter espevitado durante o Carnaval, as temperaturas voltaram a baixar, chove lá fora e afinal o forno não é para deixar de usar tão cedo - na verdade, quem já me conhece, sabe que são poucos os dias no ano em que não o ligo, o mau tempo é só um argumento que ajuda a apaziguar a minha consciência relativamente ao gasto de energia!

Encarem este gratinado mais como uma sugestão do que uma receita, pois podem fazer imensas alterações, a começar pelos próprios legumes. Podem usar batata 'normal', podem omitir um ou mais legumes, podem usar natas em vez de leite (omitindo o queijo-creme), entre outras variações.

O importante é ficar bastante tempo no forno para os legumes ficarem bem macios e absorverem bem os sabores. Por motivos de 'logística familiar', tive de fotografar antes da cozedura ter terminado. Estas belezas voltaram para o forno depois da sessão fotográfica e foi aí que o gratinado ganhou a cor final, um dourado mais acastanhado, e a superfície crocante a contrastar com os legumes macios do interior.

Bom fim-de-semana!

















GRATINADO DE BETERRABA, NABO, BATATA-DOCE E CENOURA

(para 4 cocottes)

1 cenoura média
1 nabo médio
1 beterraba média
1 batata-doce média
300 ml de leite (usei magro, mas podem usar outro tipo)
1 colher de sopa de queijo-creme tipo Philadelphia
Queijo parmesão a gosto
Queijo cheddar a gosto
Sal qb
Pimenta preta qb
Tomilho seco qb
Noz-moscada qb
Manteiga qb

Ligue o forno nos 200º.
Descasque os legumes e, com a ajuda de uma mandolina, corte-os em rodelas o mais finas que conseguir, para taças diferentes.
Unte as cocottes com manteiga.
Junte o queijo-creme ao leite, tempere com um pouco de sal, noz-moscada e pimenta preta acabada de moer e mexa bem com uma vara de arames. Vão ficar alguns grumos de queijo, não se preocupe. Reserve.
Faça uma camada generosa de um dos legumes nas cocottes, rale um pouco de parmesão e cheddar diretamente para a cocotte e salpique com uma pitada de tomilho seco; faça nova camada de legumes, rale novamente um pouco de parmesão e cheddar, adicione mais um pouco de tomilho e assim sucessivamente até ter uma camada de cada legume, terminando com mais queijo ralado e tomilho (a minha última camada foi de beterraba).
Verta a mistura do leite só até cerca de metade de cada cocotte. Tape (se as suas cocotte não tiverem tampa, cubra-as com alumínio) e leve ao forno cerca de 25 minutos. Isto vai fazer aumentar o líquido e fazer com que o gratinado não seque demasiado na fase seguinte. Como pode escorrer algum líquido da cocotte, pode proteger o fundo do forno com um tabuleiro ou papel de alumínio. Destape e deixe cozer mais cerca de 30 minutos ou até estar bem dourado e ao introduzir uma faca sentir os legumes macios. Deixe repousar uns 10/15 minutos antes de servir, como entrada, acompanhado de uma salada de rúcula ou outras folhas verdes.


Combinação provável.


















Juntar chocolate e castanha em sobremesas não é nada de novo.
Ao mesmo tempo que escrevia este post, resolvi fazer o teste do google: em resposta às palavras-chave "chocolate e castanha" recebi "cerca de 519.000 resultados em 0,35 segundos".
E um resultado extra: a vontade imediata de experimentar mais receitas com esta dupla de peso.

Às vezes faço mousse de castanha e coloco raspas de chocolate negro por cima (um dia destes tenho de fotografar a receita e publicar no blog), outras vezes faço crepes com recheio de castanha e molho de chocolate, mas em bolo nunca tinha experimentado, à excepção de uma torta de chocolate recheada com um creme feito de natas e creme de castanha, delicioso, mas que se partiu e eu não consegui fotografar.

A semana passada o meu pai fez anos e não sabia que bolo fazer. Acho que já disse aqui que não ando muito virada para bolos de aniversário de chocolate, mas pensei que o mais certo era a família já ter saudades. Resolvi então fazer um bolo de chocolate - uma versão um pouco diferente desta receita - com recheio e cobertura novos. Fez sucesso e adorei a experiência de juntar o creme de castanha ao mascarpone: ficou um creme leve, pouco doce (o bolo é doce quanto baste) e permite usar o bico pasteleiro. Que mais podia desejar? Só um pouco de cacau em pó antes de servir!



BOLO DE CHOCOLATE COM RECHEIO DE CASTANHA E COBERTURA DE CASTANHA E MASCARPONE

2 chávenas* de açúcar amarelo
4 ovos
1 chávena de óleo vegetal (girassol, por exemplo)
1 chávena de água a ferver
1 colher de sopa de café solúvel (Nescafé, por exemplo)
1/2 chávena de chocolate em pó
1/2 chávena de cacau em pó
2 chávenas de farinha
2 colheres de chá de fermento em pó
+
1/2 chávena deste molho de chocolate diluído em água (opcional)
1 frasco de doce de castanha baunilhado Bonne Maman**
150 g de queijo mascarpone
Cacau em pó para servir

Pré-aqueça o forno nos 180º. Unte com manteiga e polvilhe com farinha duas formas redondas de 20 cm de diâmetro, forre-lhes o fundo com papel vegetal e unte/polvilhe o papel também.
Numa taça, bata bem o açúcar com os ovos e o óleo. Junte a água a ferver, mexa bem e junte o café em pó. Mexa bem e junte o chocolate e o cacau em pó. Quando estiverem bem dissolvidos, envolva a farinha e o fermento. Distribua pelas formas e leve ao forno cerca de 30 minutos ou até um palito sair seco do seu interior. Poderão abrir umas rachas à superfície, não se preocupe.
Retire do forno e deixe arrefecer bem.
Quando estiverem frios, coloque um dos bolos no prato de servir, pique-o com um palito e regue com um pouco deste molho, mas diluído num pouco de água - até ficar mais fluído - e depois aquecido e coado (este passo de regar os bolos é opcional, eu tenho sempre medo de que os bolos fiquem secos e normalmente adiciono-lhes calda, mas neste caso não é obrigatório).
Reserve 200 g de doce de castanha e use o restante para rechear, espalhando-o pela superfície do bolo. Coloque o outro bolo por cima, com a parte mais perfeita para cima (se quiser um resultado profissional, nivele os bolos retirando com uma faca os excessos de massa; eu não fiz isso). Pique também este bolo e regue com mais um pouco de molho (antes de começar a decorar/montar, talvez seja melhor colocar um pouco de papel vegetal debaixo do bolo, a toda a volta, para não sujar o prato; no final é só puxar os pedaços de papel vegetal e o prato estará limpo).
Junte ao mascarpone o creme de castanha  Mexa bem para conseguir um resultado uniforme. Reserve cerca de 3/4 de chávena para a decoração final e barre todo o bolo com o creme restante. Por fim, com um saco e bico pasteleiro em forma de estrela, faça os efeitos no topo do bolo. Polvilhe com cacau em pó antes de servir.

*Chávena-medida utilizada = 250 ml de capacidade

**Eu sou fã deste doce e acho que é daqueles casos em que não compensa fazer o doce em casa. Em todo o caso, podem experimentar fazer o doce de raiz com esta receita maravilhosa do blog Coco e Baunilha.




Hora do chá.

 




Super-alimentos, sementes, farinhas menos processadas, gorduras mais saudáveis, adoçantes menos calóricos, produtos biológicos...  São cada vez mais os blogs, as receitas e os artigos que referem estes ingredientes. É uma tendência que vou seguindo com alguma atenção, mas sem fundamentalismos.

Na minha família e no meu grupo de amigos, a cozinha tradicional ou, digamos, mais convencional, tem um enorme peso e é um património afectivo e cultural que não pretendo desbaratar.
Isso não quer dizer que não me preocupe em cozinhar refeições equilibradas, que não goste de experimentar coisas novas e não queira aos poucos fazer pequenas mudanças nos meus hábitos alimentares. Mas, como já disse, sem radicalismos: comer um pouco de tudo continua a ser a minha dieta preferida!

Estes scones são um exemplo de alterações que se podem introduzir numa receita 'tradicional', tornando-a mais nutritiva. E sem grandes custos acrescidos (sim, não esqueçamos que, de uma maneira geral, os alimentos 'alternativos' são mais dispendiosos do que as opções 'tradicionais'). 

Uns scones um pouco diferentes mas muito saborosos (atualização: mesmo já frios!), que acompanham na perfeição o chá de alfazema, camomila e erva-príncipe (Sleep Tight), e a deliciosa compota de medronho da Amor à Terra - uma marca portuguesa de produtos naturais, também ela empenhada em levar mais saúde à nossa mesa. Saibam mais sobre esta marca, os seus produtos e as suas embalagens bonitas, aqui.


















SCONES DE AVEIA E SEMENTES
Para cerca de 12

125 g de farinha de trigo sem fermento
100 g de farinha de espelta
40 g de açúcar
30 g de flocos de aveia
30 g de manteiga fria
2 colheres de chá de fermento em pó
1 ovo
2 colheres de chá de sementes de sésamo brancas (usei da Sementina)
2 colheres de chá de sementes de girassol (usei da Sementina)
1 colher de chá de sementes de chia (usei da Sementina)

Pré-aquecer o forno nos 180º.
Numa taça grande colocar todos os ingredientes. Com as mãos, sobretudo com a ponta dos dedos, juntar os ingredientes, só até obter uma massa ligada e moldável (não amassar demasiado).
Fazer pequenas bolas e colocar sobre um tabuleiro anti-aderente, achatando-as ligeiramente.
Levar ao forno entre 15 a 20 minutos ou até os scones estarem 'secos' e a começar a dourar.
Servir ainda quentes com chá e compota (nas fotos, chá Sleep Tight e compota de medronho da Amor à Terra).





O bom do Inverno.



Quando olho para o calendário e vejo que ainda faltam muitas semanas para podermos começar a largar os casacos pesados, suspiro e tento concentrar-me naquilo que o Inverno tem de bom.
E se há uma coisa de que eu gosto nesta estação são os legumes: os de folha verde, bem viçosos, como as couves, os grelos e as nabiças, a batata doce, os nabos e a abóbora. Há menos variedade de fruta, é verdade, mas para compensar temos estes ingredientes substanciais e reconfortantes, perfeitos para combater as temperaturas pouco simpáticas que estão lá fora.

Assados no forno, salteados, ou simplesmente cozidos ao vapor, têm sido presença constante na minha cozinha. Uma abundância feliz mas desafiante, porque não gosto de os preparar sempre da mesma forma. E foi na procura de uma utilização um pouco diferente para a abóbora, que me lembrei da receita que há muito tinha marcado no livro "Receitas fáceis para todos os dias", da Luísa Ginoulhiac. Tinha adorado a ideia dos cestos feitos de queijo e resolvi experimentar.

Não usei parmesão mas sim grana padano, que era o queijo mais parecido que tinha e resultou muito bem. Esta é daquelas receitas que valem tanto pelo sabor como pelo aspecto, tenho a certeza de que irão surpreender a família ou os amigos se a experimentarem aí em casa. E o melhor é que funciona com quase tudo o que tiverem no frigorífico: abóbora com nabiças ou espinafres; tomates cereja, rúcula e cebola roxa; alho-francês, bacon, curgete e beringela, como na receita original, ou até para servir o risotto, como a Luísa refere.

Bom fim-de-semana!

















CESTOS DE QUEIJO COM ABÓBORA, NABIÇAS E NOZES
(adaptado daqui)

Para 4 cestos

80 g de queijo parmesão ou grana padano ralado em fios grossos (usei um ralador deste género)
2 chávenas almoçadeiras de abóbora em cubos
1/2 molho de nabiças (folhas)
2 dentes de alho
Azeite qb
Sal e pimenta preta qb
Noz-moscada qb
Mistura de especiarias 'Itália' qb (usei uma mistura daqui)
Nozes para servir

Ligar o forno nos 200º. Forrar um tabuleiro com papel vegetal.
Ralar o queijo e, com a ajuda de um aro (usei um com 9 cm de diâmetro), fazer 4 círculos de queijo, bem espaçados entre si. Levar ao forno cerca de 6-8 minutos. Vá espreitando e retire quando o queijo estiver todo derretido e começar a alourar. Com cuidado e com a ajuda de uma espátula, retire os círculos e coloque cada um sobre uma taça ou tigela pequena virada ao contrário, fazendo alguma pressão com as mãos, para moldar o queijo à taça. Deixe arrefecer e endurecer.
Entretanto leve um fio de azeite ao lume numa frigideira anti-aderente com os dois dentes de alho esmagados, junte a abóbora, tempere de sal e deixe cozinhar, refrescando de vez em quando um borrifo de água. Tempere com pimenta preta acabada de moer, um pouco de noz-moscada e a mistura de especiarias. Deixe cozinhar mais um pouco e quando estiver al dente, junte as folhas de nabiça, deixe murchá-las e cozinhar um pouco, envolva bem, retifique os temperos e retire do lume, descartando os dentes de alho. Desenforme os cestos, coloque-os no(s) prato(s) de servir, encha-os com os legumes e salpique com nozes. Está pronto a servir.

Post 2 em 1 [bolo e curd de clementina]






Clementinas que chegam no cabaz da Prove, clementinas vindas do quintal dos meus pais, taças pintadas de laranja vivo espalhadas pela cozinha. Para além da opção 'ao natural', uso-as para fazer sumo, sobretudo ao pequeno-almoço, mas estava a precisar de alguma coisa que me ajudasse a escoá-las de forma mais eficiente.

Já tinha pensado em fazer curd (nunca fiquei muito satisfeita com as receitas de curd de laranja que experimentei, mas achei que as clementinas talvez tivessem mais potencial do que as laranjas para este tipo de creme). Depois, quando vi um bolo de clementina no Ananás e Hortelã, fez-se luz: "Teresa, vais fazer curd de clementina. E depois vais usá-lo para rechear e cobrir um bolo que leve também esse citrino". E segui para a cozinha, que não sou menina de me desobedecer.

Para o curd, guiei-me pela minha receita de curd de maracujá. Para o bolo, peguei numa receita antiga de bolo de laranja, troquei o óleo vegetal pelo azeite, parte da farinha por amêndoa moída e, em vez de sementes de papoila, frequentes nos bolos de laranja ou limão, resolvi usar as sementes de chia que recebi esta semana, vindas da Sementina: um projeto giro e saudável, que vos convido a conhecer.

O resultado foi delicioso. Mas como sou suspeita, aguardo que experimentem aí em casa e depois me digam se concordam, combinado?

Bom fim-de-semana!



BOLO DE CLEMENTINA COM AMÊNDOA E SEMENTES DE CHIA, RECHEADO E COBERTO COM CURD DE CLEMENTINA

Para o curd de clementina
(fazer com antecedência, para poder arrefecer):

170 ml de sumo de clementina
2 ovos L, preferencialmente caseiros
2 gemas de ovos L, preferencialmente caseiros
80 g de manteiga ou Vaqueiro
120 g de açúcar
Sumo de 1 limão
Raspa de 3 ou 4 clementinas pequenas

Misture muito bem todos os ingredientes numa taça que possa ir ao lume em banho-maria. Coloque a taça por cima de um tacho com água, sendo que a água não deve tocar na taça. Em lume médio, vá mexendo de vez em quando, até a manteiga estar bem derretida. Depois continue a mexer até engrossar, aumentando um pouco o lume. Demorará uns 15/20 minutos até ficar bem cremoso (depois de frio, ficará mais espesso). Se achar que ficou com alguns pedacinhos de clara de ovo coagulada, coe antes de passar para um frasco. Deixe arrefecer e leve ao frio.

Para o bolo:
(este é um bolo pequeno, mas pode dobrar a receita)

2 ovos, preferencialmente caseiros (daí a cor amarela do curd e do bolo)
110 g de açúcar
50 ml de sumo de clementina
30 g azeite (usei o Gallo Suave)
40 g de farinha de amêndoa (miolo de amêndoa moído, com ou sem pele)
45 g de farinha de trigo sem fermento
10 g de fermento em pó para bolos
1 colher de sobremesa de sementes de chia (usei da Sementina)

Pré-aqueça o forno nos 180º. Unte e polvilhe com farinha duas formas de 14 cm de diâmetro, forre o fundo com papel vegetal e volte a untar/enfarinhar.
Numa taça, coloque todos os ingredientes, pela ordem em que estão apresentados. Misture-os com um batedor de varas. Divida pelas duas formas e leve ao forno cerca de 20 minutos (faça o teste do palito, para se assegurar de que estão cozidos).

Desenforme um dos bolos para o prato de servir e deixe arrefecer. Desenforme o outro bolo para um prato forrado com papel vegetal e deixe arrefecer. Quando frios, coloque uma camada de curd de clementina sobre o bolo que está no prato de servir. Coloque em cima o outro bolo e cubra com curd (vai sobrar curd: use-o para acompanhar iogurte natural e granola, para comer com scones, etc. Dura cerca de 15 dias no frigorífico, bem fechado num frasco hermético.)