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Do meu tipo de pratos favoritos.


















Adoro um bom gratinado. Acho que é um exemplo maior da chamada comida de conforto.
E estamos em plena época dos gratinados, pois é uma forma deliciosa de utilizar os legumes de Inverno: a batata-doce, o nabo, a beterraba, a abóbora...

Tanto mais que, apesar do tempo ter espevitado durante o Carnaval, as temperaturas voltaram a baixar, chove lá fora e afinal o forno não é para deixar de usar tão cedo - na verdade, quem já me conhece, sabe que são poucos os dias no ano em que não o ligo, o mau tempo é só um argumento que ajuda a apaziguar a minha consciência relativamente ao gasto de energia!

Encarem este gratinado mais como uma sugestão do que uma receita, pois podem fazer imensas alterações, a começar pelos próprios legumes. Podem usar batata 'normal', podem omitir um ou mais legumes, podem usar natas em vez de leite (omitindo o queijo-creme), entre outras variações.

O importante é ficar bastante tempo no forno para os legumes ficarem bem macios e absorverem bem os sabores. Por motivos de 'logística familiar', tive de fotografar antes da cozedura ter terminado. Estas belezas voltaram para o forno depois da sessão fotográfica e foi aí que o gratinado ganhou a cor final, um dourado mais acastanhado, e a superfície crocante a contrastar com os legumes macios do interior.

Bom fim-de-semana!

















GRATINADO DE BETERRABA, NABO, BATATA-DOCE E CENOURA

(para 4 cocottes)

1 cenoura média
1 nabo médio
1 beterraba média
1 batata-doce média
300 ml de leite (usei magro, mas podem usar outro tipo)
1 colher de sopa de queijo-creme tipo Philadelphia
Queijo parmesão a gosto
Queijo cheddar a gosto
Sal qb
Pimenta preta qb
Tomilho seco qb
Noz-moscada qb
Manteiga qb

Ligue o forno nos 200º.
Descasque os legumes e, com a ajuda de uma mandolina, corte-os em rodelas o mais finas que conseguir, para taças diferentes.
Unte as cocottes com manteiga.
Junte o queijo-creme ao leite, tempere com um pouco de sal, noz-moscada e pimenta preta acabada de moer e mexa bem com uma vara de arames. Vão ficar alguns grumos de queijo, não se preocupe. Reserve.
Faça uma camada generosa de um dos legumes nas cocottes, rale um pouco de parmesão e cheddar diretamente para a cocotte e salpique com uma pitada de tomilho seco; faça nova camada de legumes, rale novamente um pouco de parmesão e cheddar, adicione mais um pouco de tomilho e assim sucessivamente até ter uma camada de cada legume, terminando com mais queijo ralado e tomilho (a minha última camada foi de beterraba).
Verta a mistura do leite só até cerca de metade de cada cocotte. Tape (se as suas cocotte não tiverem tampa, cubra-as com alumínio) e leve ao forno cerca de 25 minutos. Isto vai fazer aumentar o líquido e fazer com que o gratinado não seque demasiado na fase seguinte. Como pode escorrer algum líquido da cocotte, pode proteger o fundo do forno com um tabuleiro ou papel de alumínio. Destape e deixe cozer mais cerca de 30 minutos ou até estar bem dourado e ao introduzir uma faca sentir os legumes macios. Deixe repousar uns 10/15 minutos antes de servir, como entrada, acompanhado de uma salada de rúcula ou outras folhas verdes.


Combinação provável.


















Juntar chocolate e castanha em sobremesas não é nada de novo.
Ao mesmo tempo que escrevia este post, resolvi fazer o teste do google: em resposta às palavras-chave "chocolate e castanha" recebi "cerca de 519.000 resultados em 0,35 segundos".
E um resultado extra: a vontade imediata de experimentar mais receitas com esta dupla de peso.

Às vezes faço mousse de castanha e coloco raspas de chocolate negro por cima (um dia destes tenho de fotografar a receita e publicar no blog), outras vezes faço crepes com recheio de castanha e molho de chocolate, mas em bolo nunca tinha experimentado, à excepção de uma torta de chocolate recheada com um creme feito de natas e creme de castanha, delicioso, mas que se partiu e eu não consegui fotografar.

A semana passada o meu pai fez anos e não sabia que bolo fazer. Acho que já disse aqui que não ando muito virada para bolos de aniversário de chocolate, mas pensei que o mais certo era a família já ter saudades. Resolvi então fazer um bolo de chocolate - uma versão um pouco diferente desta receita - com recheio e cobertura novos. Fez sucesso e adorei a experiência de juntar o creme de castanha ao mascarpone: ficou um creme leve, pouco doce (o bolo é doce quanto baste) e permite usar o bico pasteleiro. Que mais podia desejar? Só um pouco de cacau em pó antes de servir!



BOLO DE CHOCOLATE COM RECHEIO DE CASTANHA E COBERTURA DE CASTANHA E MASCARPONE

2 chávenas* de açúcar amarelo
4 ovos
1 chávena de óleo vegetal (girassol, por exemplo)
1 chávena de água a ferver
1 colher de sopa de café solúvel (Nescafé, por exemplo)
1/2 chávena de chocolate em pó
1/2 chávena de cacau em pó
2 chávenas de farinha
2 colheres de chá de fermento em pó
+
1/2 chávena deste molho de chocolate diluído em água (opcional)
1 frasco de doce de castanha baunilhado Bonne Maman**
150 g de queijo mascarpone
Cacau em pó para servir

Pré-aqueça o forno nos 180º. Unte com manteiga e polvilhe com farinha duas formas redondas de 20 cm de diâmetro, forre-lhes o fundo com papel vegetal e unte/polvilhe o papel também.
Numa taça, bata bem o açúcar com os ovos e o óleo. Junte a água a ferver, mexa bem e junte o café em pó. Mexa bem e junte o chocolate e o cacau em pó. Quando estiverem bem dissolvidos, envolva a farinha e o fermento. Distribua pelas formas e leve ao forno cerca de 30 minutos ou até um palito sair seco do seu interior. Poderão abrir umas rachas à superfície, não se preocupe.
Retire do forno e deixe arrefecer bem.
Quando estiverem frios, coloque um dos bolos no prato de servir, pique-o com um palito e regue com um pouco deste molho, mas diluído num pouco de água - até ficar mais fluído - e depois aquecido e coado (este passo de regar os bolos é opcional, eu tenho sempre medo de que os bolos fiquem secos e normalmente adiciono-lhes calda, mas neste caso não é obrigatório).
Reserve 200 g de doce de castanha e use o restante para rechear, espalhando-o pela superfície do bolo. Coloque o outro bolo por cima, com a parte mais perfeita para cima (se quiser um resultado profissional, nivele os bolos retirando com uma faca os excessos de massa; eu não fiz isso). Pique também este bolo e regue com mais um pouco de molho (antes de começar a decorar/montar, talvez seja melhor colocar um pouco de papel vegetal debaixo do bolo, a toda a volta, para não sujar o prato; no final é só puxar os pedaços de papel vegetal e o prato estará limpo).
Junte ao mascarpone o creme de castanha  Mexa bem para conseguir um resultado uniforme. Reserve cerca de 3/4 de chávena para a decoração final e barre todo o bolo com o creme restante. Por fim, com um saco e bico pasteleiro em forma de estrela, faça os efeitos no topo do bolo. Polvilhe com cacau em pó antes de servir.

*Chávena-medida utilizada = 250 ml de capacidade

**Eu sou fã deste doce e acho que é daqueles casos em que não compensa fazer o doce em casa. Em todo o caso, podem experimentar fazer o doce de raiz com esta receita maravilhosa do blog Coco e Baunilha.




Hora do chá.

 




Super-alimentos, sementes, farinhas menos processadas, gorduras mais saudáveis, adoçantes menos calóricos, produtos biológicos...  São cada vez mais os blogs, as receitas e os artigos que referem estes ingredientes. É uma tendência que vou seguindo com alguma atenção, mas sem fundamentalismos.

Na minha família e no meu grupo de amigos, a cozinha tradicional ou, digamos, mais convencional, tem um enorme peso e é um património afectivo e cultural que não pretendo desbaratar.
Isso não quer dizer que não me preocupe em cozinhar refeições equilibradas, que não goste de experimentar coisas novas e não queira aos poucos fazer pequenas mudanças nos meus hábitos alimentares. Mas, como já disse, sem radicalismos: comer um pouco de tudo continua a ser a minha dieta preferida!

Estes scones são um exemplo de alterações que se podem introduzir numa receita 'tradicional', tornando-a mais nutritiva. E sem grandes custos acrescidos (sim, não esqueçamos que, de uma maneira geral, os alimentos 'alternativos' são mais dispendiosos do que as opções 'tradicionais'). 

Uns scones um pouco diferentes mas muito saborosos (atualização: mesmo já frios!), que acompanham na perfeição o chá de alfazema, camomila e erva-príncipe (Sleep Tight), e a deliciosa compota de medronho da Amor à Terra - uma marca portuguesa de produtos naturais, também ela empenhada em levar mais saúde à nossa mesa. Saibam mais sobre esta marca, os seus produtos e as suas embalagens bonitas, aqui.


















SCONES DE AVEIA E SEMENTES
Para cerca de 12

125 g de farinha de trigo sem fermento
100 g de farinha de espelta
40 g de açúcar
30 g de flocos de aveia
30 g de manteiga fria
2 colheres de chá de fermento em pó
1 ovo
2 colheres de chá de sementes de sésamo brancas (usei da Sementina)
2 colheres de chá de sementes de girassol (usei da Sementina)
1 colher de chá de sementes de chia (usei da Sementina)

Pré-aquecer o forno nos 180º.
Numa taça grande colocar todos os ingredientes. Com as mãos, sobretudo com a ponta dos dedos, juntar os ingredientes, só até obter uma massa ligada e moldável (não amassar demasiado).
Fazer pequenas bolas e colocar sobre um tabuleiro anti-aderente, achatando-as ligeiramente.
Levar ao forno entre 15 a 20 minutos ou até os scones estarem 'secos' e a começar a dourar.
Servir ainda quentes com chá e compota (nas fotos, chá Sleep Tight e compota de medronho da Amor à Terra).





O bom do Inverno.



Quando olho para o calendário e vejo que ainda faltam muitas semanas para podermos começar a largar os casacos pesados, suspiro e tento concentrar-me naquilo que o Inverno tem de bom.
E se há uma coisa de que eu gosto nesta estação são os legumes: os de folha verde, bem viçosos, como as couves, os grelos e as nabiças, a batata doce, os nabos e a abóbora. Há menos variedade de fruta, é verdade, mas para compensar temos estes ingredientes substanciais e reconfortantes, perfeitos para combater as temperaturas pouco simpáticas que estão lá fora.

Assados no forno, salteados, ou simplesmente cozidos ao vapor, têm sido presença constante na minha cozinha. Uma abundância feliz mas desafiante, porque não gosto de os preparar sempre da mesma forma. E foi na procura de uma utilização um pouco diferente para a abóbora, que me lembrei da receita que há muito tinha marcado no livro "Receitas fáceis para todos os dias", da Luísa Ginoulhiac. Tinha adorado a ideia dos cestos feitos de queijo e resolvi experimentar.

Não usei parmesão mas sim grana padano, que era o queijo mais parecido que tinha e resultou muito bem. Esta é daquelas receitas que valem tanto pelo sabor como pelo aspecto, tenho a certeza de que irão surpreender a família ou os amigos se a experimentarem aí em casa. E o melhor é que funciona com quase tudo o que tiverem no frigorífico: abóbora com nabiças ou espinafres; tomates cereja, rúcula e cebola roxa; alho-francês, bacon, curgete e beringela, como na receita original, ou até para servir o risotto, como a Luísa refere.

Bom fim-de-semana!

















CESTOS DE QUEIJO COM ABÓBORA, NABIÇAS E NOZES
(adaptado daqui)

Para 4 cestos

80 g de queijo parmesão ou grana padano ralado em fios grossos (usei um ralador deste género)
2 chávenas almoçadeiras de abóbora em cubos
1/2 molho de nabiças (folhas)
2 dentes de alho
Azeite qb
Sal e pimenta preta qb
Noz-moscada qb
Mistura de especiarias 'Itália' qb (usei uma mistura daqui)
Nozes para servir

Ligar o forno nos 200º. Forrar um tabuleiro com papel vegetal.
Ralar o queijo e, com a ajuda de um aro (usei um com 9 cm de diâmetro), fazer 4 círculos de queijo, bem espaçados entre si. Levar ao forno cerca de 6-8 minutos. Vá espreitando e retire quando o queijo estiver todo derretido e começar a alourar. Com cuidado e com a ajuda de uma espátula, retire os círculos e coloque cada um sobre uma taça ou tigela pequena virada ao contrário, fazendo alguma pressão com as mãos, para moldar o queijo à taça. Deixe arrefecer e endurecer.
Entretanto leve um fio de azeite ao lume numa frigideira anti-aderente com os dois dentes de alho esmagados, junte a abóbora, tempere de sal e deixe cozinhar, refrescando de vez em quando um borrifo de água. Tempere com pimenta preta acabada de moer, um pouco de noz-moscada e a mistura de especiarias. Deixe cozinhar mais um pouco e quando estiver al dente, junte as folhas de nabiça, deixe murchá-las e cozinhar um pouco, envolva bem, retifique os temperos e retire do lume, descartando os dentes de alho. Desenforme os cestos, coloque-os no(s) prato(s) de servir, encha-os com os legumes e salpique com nozes. Está pronto a servir.

Post 2 em 1 [bolo e curd de clementina]






Clementinas que chegam no cabaz da Prove, clementinas vindas do quintal dos meus pais, taças pintadas de laranja vivo espalhadas pela cozinha. Para além da opção 'ao natural', uso-as para fazer sumo, sobretudo ao pequeno-almoço, mas estava a precisar de alguma coisa que me ajudasse a escoá-las de forma mais eficiente.

Já tinha pensado em fazer curd (nunca fiquei muito satisfeita com as receitas de curd de laranja que experimentei, mas achei que as clementinas talvez tivessem mais potencial do que as laranjas para este tipo de creme). Depois, quando vi um bolo de clementina no Ananás e Hortelã, fez-se luz: "Teresa, vais fazer curd de clementina. E depois vais usá-lo para rechear e cobrir um bolo que leve também esse citrino". E segui para a cozinha, que não sou menina de me desobedecer.

Para o curd, guiei-me pela minha receita de curd de maracujá. Para o bolo, peguei numa receita antiga de bolo de laranja, troquei o óleo vegetal pelo azeite, parte da farinha por amêndoa moída e, em vez de sementes de papoila, frequentes nos bolos de laranja ou limão, resolvi usar as sementes de chia que recebi esta semana, vindas da Sementina: um projeto giro e saudável, que vos convido a conhecer.

O resultado foi delicioso. Mas como sou suspeita, aguardo que experimentem aí em casa e depois me digam se concordam, combinado?

Bom fim-de-semana!



BOLO DE CLEMENTINA COM AMÊNDOA E SEMENTES DE CHIA, RECHEADO E COBERTO COM CURD DE CLEMENTINA

Para o curd de clementina
(fazer com antecedência, para poder arrefecer):

170 ml de sumo de clementina
2 ovos L, preferencialmente caseiros
2 gemas de ovos L, preferencialmente caseiros
80 g de manteiga ou Vaqueiro
120 g de açúcar
Sumo de 1 limão
Raspa de 3 ou 4 clementinas pequenas

Misture muito bem todos os ingredientes numa taça que possa ir ao lume em banho-maria. Coloque a taça por cima de um tacho com água, sendo que a água não deve tocar na taça. Em lume médio, vá mexendo de vez em quando, até a manteiga estar bem derretida. Depois continue a mexer até engrossar, aumentando um pouco o lume. Demorará uns 15/20 minutos até ficar bem cremoso (depois de frio, ficará mais espesso). Se achar que ficou com alguns pedacinhos de clara de ovo coagulada, coe antes de passar para um frasco. Deixe arrefecer e leve ao frio.

Para o bolo:
(este é um bolo pequeno, mas pode dobrar a receita)

2 ovos, preferencialmente caseiros (daí a cor amarela do curd e do bolo)
110 g de açúcar
50 ml de sumo de clementina
30 g azeite (usei o Gallo Suave)
40 g de farinha de amêndoa (miolo de amêndoa moído, com ou sem pele)
45 g de farinha de trigo sem fermento
10 g de fermento em pó para bolos
1 colher de sobremesa de sementes de chia (usei da Sementina)

Pré-aqueça o forno nos 180º. Unte e polvilhe com farinha duas formas de 14 cm de diâmetro, forre o fundo com papel vegetal e volte a untar/enfarinhar.
Numa taça, coloque todos os ingredientes, pela ordem em que estão apresentados. Misture-os com um batedor de varas. Divida pelas duas formas e leve ao forno cerca de 20 minutos (faça o teste do palito, para se assegurar de que estão cozidos).

Desenforme um dos bolos para o prato de servir e deixe arrefecer. Desenforme o outro bolo para um prato forrado com papel vegetal e deixe arrefecer. Quando frios, coloque uma camada de curd de clementina sobre o bolo que está no prato de servir. Coloque em cima o outro bolo e cubra com curd (vai sobrar curd: use-o para acompanhar iogurte natural e granola, para comer com scones, etc. Dura cerca de 15 dias no frigorífico, bem fechado num frasco hermético.)


Post 2 em 1 [doce e bolo de chuchu]







































O chuchu deve ser o legume* que me diz menos.
É desengraçado, às vezes vem com picos chatos, não tem grande sabor, não me lembro de ouvir falar dele quando era pequena e, ainda por cima (eu sou muito sensível ao nome das coisas), tem um nome feio. Chuchu? A sério? Também há quem lhe chame... pimpinela. Não melhorou, pois não? Aliás, nunca percebi porque é que os brasileiros usam a expressão "meu chuchuzinho", detestaria ser comparada a um chuchu, mesmo que de forma carinhosa.

Tudo isto a propósito das receitas deste post, em que o chuchu é a estrela principal. Todas as semanas recebo um cabaz da Prove, que traz legumes e fruta de agricultores aqui da zona (no Norte, bastantes mais legumes do que fruta). E o chuchu tem chegado em grande quantidade. Uso-o na sopa, e às vezes ralado em saladas. Não tenho um grande congelador, por isso conservá-lo desta forma não é opção.

Já tinha tropeçado em algumas receitas de doce de chuchu, mas só agora decidi experimentar, depois de me terem dito que era muito parecido com o doce de chila. E não é que é mesmo?
E para mim, doce de chila não é para comer no pão ou em tostas, é para usar em bolos e sobremesas. E foi isso que fiz: usei parte do doce num bolo de avelãs, sem farinha e sem manteiga. Ficou um bolo húmido, uma espécie de 'toucinho de céu' mais leve, muito bom para acompanhar uma chávena de chá feito com a ajuda da minha (linda) chaleira Le Creuset.

A receita do doce de chuchu, encontrei-a no bonito Sweet Gula, que por sua vez tinha seguido a receita do não menos bonito No Soup For You. Viva a partilha das coisas boas!

*O chuchu é considerado um fruto, mas muitas vezes, para simplificar e nos entendermos, é mais fácil designar como legume todo o fruto que não é doce (tomate, pimento, beringela, chuchu, etc.)...















DOCE DE CHUCHU
(receita encontrada aqui)

700 g de chuchu descascado e ralado em fios (é o que vai fazer com que fique parecido com o doce de chila)
350 g de açúcar (a receita original pede um pouco menos de açúcar e usa açúcar amarelo, eu usei do branco)
1 casca de limão
1 pau de canela

Eu usei a Bimby: junte no copo todos os ingredientes e programe 30 min/100º/Veloc. colher inversa.
Quando terminar, programe mais 30 min/Temp.Varoma/Veloc. colher inversa.
Descarte a casca de limão e o pau de canela e guarde em frascos esterilizados. Deixe arrefecer e conserve no frigorífico.

Método tradicional:
Leve ao lume num tacho o chuchu ralado, juntamente com os outros ingredientes. Vá mexendo, sempre em lume brando, durante cerca de 1 hora, até estar no ponto. Descarte o pau de canela e a casca de limão, coloque em frascos esterilizados, deixe arrefecer e conserve no frigorífico.


BOLO DE CHUCHU E AVELÃ

5 ovos (usei caseiros, que conferem ao bolo uma textura mais húmida e compacta, para além das outras vantagens)
120 g de açúcar
250 g de doce de chuchu
200 g de miolo de avelã torrado e moído
Açúcar em pó para decorar

Pré-aqueça o forno nos 170º função ventoinha e forre o fundo de uma forma redonda de 20 cm de diâmetro com papel vegetal. Unte bem com manteiga e polvilhe com farinha ou use spray desmoldante.
Bata bem os ovos com o açúcar. Junte a avelã moída (eu usei avelã torrada que moí na Bimby) e por fim junte o doce de chuchu, tendo o cuidado de o desfazer e espalhar bem pela massa. Verta na forma e leve a cozer durante cerca de 45 minutos (eu cozi a 170º com a opção 'ventoinha' ligada; se não tiver esta opção, aumente a temperatura para 180º ou 190º, mas talvez tenha de cozer durante mais alguns minutos. Quando pronto o palito deve sair praticamente seco - podem vir algumas migalhas agarradas, porque é um bolo húmido - e deve ter um dourado acastanhado bonito. Deixe arrefecer (o bolo fica mais saboroso no dia seguinte) e polvilhe com açúcar em pó.


Uma espécie de Dobos Torte [ou o meu bolo de aniversário]






Eu sei, eu sei que este blog parece esquizofrénico: no post anterior partilho uma receita saudável, acompanhada de um queixume sobre os excessos da quadra natalícia, e logo de seguida, na mesma semana, aparece um bolo que é um pecado.
Mas dizer que fiz anos ontem serve de atenuante, não serve?

Nem sempre me apetece fazer o meu próprio bolo de aniversário, mas este ano a vontade de experimentar uma receita nova empurrou-me logo de véspera para a cozinha.
Aviso que este bolo tem bolinha vermelha no canto superior direito: a quantidade de manteiga [e açúcar] pode chocar os mais sensíveis.

Queria ter seguido mais de perto a versão do Martha Stewart's Baking Handbook, mas ontem, quando ia preparar o recheio/cobertura não encontrei o livro [que tinha usado na véspera para fazer a massa, por isso podem imaginar o caos que se vive nas minhas prateleiras da cozinha].
Ainda recorri à internet, mas não encontrei a receita exacta, pesquisei mais algumas receitas e fiz um mix, que acabou por correr muito bem - a meio do processo achei mesmo que ia ter de recheá-lo e cobri-lo com uma simples ganache de chocolate, mas a internet, esse oráculo dos tempos modernos, salvou-me do desgosto de não conseguir (ver receita).

Não é um bolo difícil, mas é preciso algum tempo para o preparar [o que acaba por ser uma vantagem, porque assim não caimos na tentação de o fazer muitas vezes].
Mas vale bem a pena todo o esforço: ontem levei-o para casa dos meus pais, onde fiz um jantar de aniversário em família, com os meus irmãos e sobrinhos, e garanto-vos que foi um sucesso.

[as fotografias do bolo inteiro e aberto estão muito diferentes: as do bolo inteiro foram tiradas ontem ao final da tarde e as do bolo aberto hoje de manhã, a prova de que a luz faz mesmo toda a diferença.]

Bom fim-de-semana!















DOBOS TORTE - SIMPLIFICADO
A partir da receita do Martha Stewart's Baking Handbook

Para o bolo:

350 g de manteiga à temperatura ambiente
3 chávenas de farinha sem fermento
1 colher de sopa de fermento em pó
1 pitada de sal
2 chávenas + 1/4 de chávena de açúcar
8 claras de ovos grandes
3 gemas de ovos grandes
1 chávena de leite meio-gordo

Chávena = 250 ml de capacidade

Pré-aquecer o forno nos 180º. Untar e polvilhar com farinha ou usar spray desmoldante duas formas de 22 cm de diâmetro (a receita original pede 3 formas de 20 cm), forrar o fundo das formas com papel vegetal e voltar a untar/polvilhar com farinha.
Na batedeira eléctrica (o ideal é ser uma batedeira com apoio, tipo Kitchenaid, bater a manteiga com 2 chávenas de açúcar até estar bem misturado e esbranquiçado, uns 3 ou 4 minutos. Juntar as gemas uma a uma, continuando a bater. Junte o fermento e o sal à farinha. Numa velocidade baixa, juntar a farinha e o leite em três vezes e de forma alternada, começando e acabando com farinha (a receita original diz para peneirar a farinha e o fermento, eu não o fiz). Noutra taça, bater as claras com a batedeira eléctrica e quando ficarem espumosas, junte 1/4 de chávena de açúcar. Continue a bater até ficarem bem firmes. Envolva as claras no outro preparado, em duas ou três vezes e com uma espátula de borracha. Divida pelas formas untadas e leve ao forno entre 30 a 40 minutos. Aos 30, espete um palito no centro e vá controlando: o palito deve sair limpo.
Desenforme e deixe arrefecer totalmente (eu fiz os bolos à noite, na véspera).


Para o recheio e cobertura:
[Merengue suiço amanteigado de chocolate - Chocolate swiss meringue buttercream]

1 dose de merengue suiço*
200 g de chocolate de culinária de boa qualidade
450 g de manteiga à temperatura ambiente

*Merengue suiço
4 claras L
180 g de açúcar


Leve ao lume em banho-maria numa taça metálica ou de vidro (o ideal é ser a taça da batedeira) as claras misturadas com o açúcar (a água não deve tocar na taça). Mexer continuamente, até o açúcar estar dissolvido e a mistura estiver quente ao toque (cerca de 4 minutos).
Retirar do lume e bater com a batedeira eléctrica, inicialmente a baixa velocidade e depois numa velocidade média-alta, no total cerca de 7 minutos, até ficar com uma consistência extra-firme e um aspecto macio e brilhante. Reservar.
Derreter o chocolate em banho-maria e reservar.
Com a batedeira numa velocidade média-baixa (e com a pá, em vez da pinha), juntar ao merengue a manteiga aos poucos - colher de sopa a colher de sopa. Contunue a bater até ficar um creme macio e uniforme. Se parecer que a mistura talhou e está aos grumos, bater mais um pouco numa velocidade maior. Se vir que não está a melhorar, não desespere e siga a dica do Cake Central: retire uma chávena do creme talhado e leve ao micro-ondas na potência máxima entre 5 a 10 segundos - deve ficar mais líquido, meio derretido, mas não quente. Junte à batedeira novamente e bata de novo a uma velocidade média-alta: verá que vai começar a ficar parecido com um creme de manteiga (comigo resultou!).
Quando estiver macio e uniforme, junte aos poucos o chocolate derretido, diminuindo a velocidade. Assim que o creme ficar com o chocolate completamente envolvido, está pronto para ser usado no bolo.

Rechear e cobrir o bolo:

Parta cada bolo em três (usei daquelas faca compridas de serrilha de pastelaria; enquanto cortava atendia telefonemas de parabéns, daí as camadas não terem ficado muito certinhas!).
Coloque a base de um dos bolos no prato de servir e barre com o creme, coloque outra parte de bolo e barre também com o creme e assim sucessivamente. Termine barrando todo o bolo com a ajuda de um espátula - usei uma destas.

Notas:
- No livro o bolo tem nove camadas, pois foram partidos três bolos em três partes; o recheio também é um pouco diferente - ao creme do recheio, que é ligeiramente diferente do meu, foram adicionadas natas batidas; 
- Para ser um verdadeiro 'Dobos Torte', bolo de origem húngara, deveria levar ainda uma cobertura ou decorações de caramelo;
- Como é inverno e está frio, não senti necessidade de manter o bolo no frigorífico, mas no tempo mais quente é aconselhável.
- Apesar de nas fotos, a massa do bolo poder indiciar um bolo seco, não é: é húmido e delicioso!