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Londres [1ª parte e uma focaccia express]













Tudo começou em Janeiro, quando fiz 40 anos.
No fim do meu jantar de aniversário, um grande presente preparado pelos amigos: vouchers para dois workshops no Recipease e um pé-de-meia para a viagem (para além de um livro cheio de dedicatórias e fotografias, lindo, que me pôs a chorar nesse dia e nos seguintes).

Ficou logo decidido que a escapadela a Londres seria a dois, sem miúdos. Mesmo assim, era preciso que fosse em tempo de férias escolares, para que a logística de quem ficasse com os piratas não fosse demasiado complicada. E a data escolhida acabou por ser agora, no início de Setembro.

Foram cinco dias recheados de coisas boas que não cabem num post só. Este é sobre os workshops, mas quero mostrar-vos também os restaurantes onde comemos, os mercados por onde andámos e as lojas que conhecemos. Muitos desses sítios nunca os teríamos descoberto se não tivéssemos a sorte de ter amigas em Londres, que nos receberam de forma maravilhosa. Apesar de eu já ter estado em Londres noutras alturas, esta foi a primeira vez depois do bichinho da cozinha e do blog se ter instalado definitivamente, por isso foi uma viagem muito especial.

Comecemos então pelos workshops, que fiz no Recipease de Notting Hill. Inscrevi-me online, com antecedência, e escolhi-os de entre os temas disponíveis para o mesmo dia. De manhã foi o "Bread - Knead to know", ao início da tarde foi a vez da "Indian Street food". O espaço é muito giro e os funcionários são todos extremamente simpáticos. À volta da ilha gigante, onde são ministradas as aulas de cozinha, há comida pronta para levar, há conservas, compotas, loiça gira e livros para comprar e há uma cozinha à vista, de apoio ao restaurante que fica no piso de cima. Por incrível que pareça, fui a única aluna no workshop de pão! Tive a simpática chef Laura por minha conta, a ensinar-me uma massa básica de pão, a dar-me dicas sobre como amassar, dar diferentes formas e rechear, e a mostrar-me vários toppings que podemos usar. Aprendi também a fazer uma focaccia de rosmaninho que, incrivelmente, não precisou de levedar (apesar da receita - que recebi passados alguns dias por email - dizer para levedar). Foi um workshop simples mas divertido, com o chef Dan, que iria liderar depois o workshop de comida indiana, sempre a meter-se comigo e com a chef Laura. O chef Roberto, de origem italiana, e que trabalha na cozinha do Recipease, também fez questão de vir dizer olá e posar para a fotografia.

Já no workshop de comida de rua indiana éramos quatro alunos, o que mesmo assim deu para podermos contar com a atenção do chef para responder às constantes perguntas (era muito enérgico, entusiasmado e rápido a falar, bem à Jamie, e nem sempre era fácil acompanhar).
Fizemos um caril de vegetais, uma espetada de frango marinada em iogurte e especiarias, umas sanduíches recheadas com batata e ervilhas, envolvidas em polme e fritas - "bread pakoda", um lassi de manga, e ainda umas entradinhas amorosas recheadas, entre outras coisas, com um chutney de tâmaras e tamarindo que o chef fez no momento, extra workshop, e que era absolutamente delicioso.
Quero muito tentar fazer de novo estas receitas, ainda que haja um ou outro ingrediente que talvez não seja fácil encontrar (a minha aventura para encontrar as especiarias em Chinatown, seguindo o conselho do chef Dan, não foi lá muito bem sucedida). Por agora deixo-vos a focaccia, que à falta de rosmaninho cá em casa, foi feita na versão azeitona, cebola roxa e orégãos.
Para a massa segui a receita enviada (no momento do ws não temos a receita, esta é transmitida oralmente), mas ficou ligeiramente diferente, o que julgo dever-se às farinhas, que diferem bastante de país para país (a esse propósito, vale a pena ler este post). Quanto à questão do levedar/ não levedar, já enviei mail para o Recipease, para esclarecer essa dúvida, uma vez que pensava que a receita que me iria chegar não ia falar nessa etapa. Acabei por seguir o que tinha feito no workshop, ou seja, nesta primeira experiência também não deixei a massa levedar, ficando à espera apenas o tempo de preparar e colocar o topping.

Deixo-vos a receita e vou ali seleccionar as fotos para os próximos posts. Boa semana!

[Hoje era dia de wishlist, mas achei que a ida a Londres e a receita mereciam prioridade :)]











FOCACCIA DE AZEITONA E CEBOLA ROXA

325 g de farinha tipo 65 (strong bread flour)
150 g de farinha 55 (Italian “00” flour)
200 ml de água tépida
7 g de fermento de padeiro seco (ou 15 g fermento fresco)
1 pitada generosa de sal
150 ml de azeite extra virgem + algum para saltear a cebola
Cerca de 25 azeitonas descaroçadas
1 cebola roxa
1 dente de alho
Orégãos secos qb
Flor de sal (opcional)
Folhas de manjericão fresco para decorar (opcional)

Pré-aqueça o forno nos 200º.
Numa taça grande, combine as farinhas, a água, metade do azeite, o fermento e o sal.
Primeiro com um garfo e depois com as mãos, vá misturando, forme uma bola e depois, numa superfície de trabalho, amasse entre 5 a 10 minutos. Está pronta quando carregando na massa com a ponta do dedo, a massa rapidamente volta ao sítio. Reserve*. Entretanto, leve ao lume uma sertã com um fio de azeite, coloque a cebola partida em tiras e o alho picado. Deixe cozinhar bem, até a cebola ficar bem mole e translúcida.
Estenda a massa com as mãos formando um rectângulo com cerca de 1 cm (mínimo) de espessura. Passe para papel vegetal e coloque num tabuleiro de forno. Com o indicador faça covinhas na superfície de toda a massa. Barre com parte do azeite reservado, coloque por cima a cebolada e espalhe as azeitonas. Regue com mais um pouco de azeite e salpique com orégãos. Leve ao forno cerca de 20 minutos (no meu caso esteve mais alguns minutos, mas o meu forno anda um pouco imprevisível).
Sirva morna ou fria, salpicada com flor de sal e com uma tacinha de azeite e vinagre balsâmico ao lado. Pode decorar ainda com folhinhas de manjericão.

*Se tiver tempo e quiser fazer a massa levedar, coloque a bola de massa na taça e tape a massa com um pano de cozinha limpo, deixando assim cerca de 45 minutos ou até dobrar de volume. Depois, já com a massa estendida e pronta para ir ao forno, volte a tapar com o pano e deixe descansar mais cerca de 30 minutos. Se usar fermento fresco, dissolva-o na água tépida, antes de juntar esta aos restantes ingredientes.

Coisas que não me importava de ter na minha cozinha #2

lume brando's wishlist #2


 



1- taças 'par avion' / 2 - copo bandeira japão / 3 - panela le creuset / 4 - quadro c/ lettering  / 5 - cadeira estilo industrial / 6 - livro de receitas Downton Abbey / 7 - placa de parede / 8 - tábua de sushi / 9 -bule chá / 10 - avental metro de Londres

Na lista de desejos de hoje, há um denominador comum: objectos que fazem da cozinha um ponto de partida e chegada de muitas e estimulantes aventuras. Viajar no tempo e no espaço, à boleia de cores, sabores e memórias.

Tartes rápidas para desejos súbitos.

















Apetece algo doce para o lanche mas não há tempo para bolos demorados?
Um jantar de última hora pede uma sobremesa rápida e bonita?
A resposta é tarte tatin, a nossa fiel aliada nestes momentos inesperados.

Coisas que não me importava de ter na minha cozinha #1

Lume Brando's wishlist





Ontem celebrou-se o Dia do Blog e tinha pensado que era a data ideal para lançar esta nova rubrica, mas não consegui terminar o post a tempo. Não faz mal, aqui estão elas: "As coisas que não me importava de ter na minha cozinha". Coisas que espero poder partilhar convosco semanalmente, para que as segundas-feiras (sobretudo as minhas!) fiquem mais leves e inspiradas.

Devido a um desafio recente relacionado com a criação de conteúdos online ligados à moda, tenho ido muitas vezes ao Polyvore. O Polyvore é uma rede social através da qual podemos escolher e partilhar os nossos produtos preferidos de moda, beleza ou decoração. A principal característica é que todas as imagens disponíveis no Polyvore, ou que podemos 'levar' para o nosso perfil do Polyvore, são de artigos à venda online. Podemos pesquisar por tipo de peça, por cor, por preço, etc., e em poucos segundos temos uma listagem enorme de imagens/ produtos que correspondem à nossa pesquisa, com o respetivo link para onde os podemos adquirir (sim, é uma rede social com objectivos bem consumistas, mas que não precisa de ser usada para comprar, pode servir apenas como fonte de inspiração, à semelhança do Pinterest). Mas o mais interessante, aquilo que me deixou realmente surpreendida, é que podermos construir colagens, ou seja, criar conjuntos de peças como o da imagem acima, na própria aplicação, muito facilmente e de forma personalizada, e partilhá-las não só no Polyvore, como no blog e noutras redes sociais. Estão a ver aqueles looks dos blogs de moda, organizados por cor ou tema, cheios de peças a combinar? Muitos deles são feitos assim, com a vantagem de que quem estiver interessado em alguma das peças mostradas, pode ir diretamente ao site onde está à venda.

Fiquei tão maravilhada com esta possibilidade - achei mesmo uma ideia genial - que decidi criar esta rubrica aqui no blog, para vos ir mostrando objectos que vou descobrindo e gostando. Não quer dizer que recorra sempre ao Polyvore (podemos fazer estes sets ou mood boards em muitas outras aplicações), mas de facto ali é tão fácil, que se torna um vício!

Para a lista de desejos de hoje (e não, não tenciono comprar nenhuma destas peças, só as achei bonitas e merecedoras de serem agrupadas e partilhadas; já vos disse que tenho uma casa de banho convertida em armazém de loiça? Estou proibida, por mim própria, de comprar mais props), segui o verde menta e o dourado, duas das minhas cores favoritas. Gosto especialmente da cafeteira 'italiana': um verdadeiro clássico onde o twist dourado faz a diferença (pena não ser a sério, é de porcelana). Também gosto muito dos pratos em madeira e da caneca que parece de esmalte (muito na moda), mas não é! E há imenso tempo que sonho com um faqueiro dourado (fico sempre a olhar e a suspirar pelos da Zara Home). E vocês? Que coisas não se importavam de ter na vossa cozinha?

Boa semana!


Maracujás no regresso a casa.





Depois de três semanas fora de casa com a família, praticamente sem cozinhar, confesso que já estava com saudades de ligar o forno.
Há muito que não tirávamos três semanas de férias e soube-nos muito bem. Andámos sempre pelo norte do país, como já é costume. Uma semana no Minho litoral, com escapadelas à Galiza, e duas semanas no campo, onde os miúdos ganham espaço e tempo para fazer o que mais gostam: andar descalços, pedalar, dar saltos para a piscina e comer gelados!
De volta à civilização, encontrei um frigorífico vazio mas, para compensar, tinha à minha espera um saco cheio de maracujás vindos do quintal dos meus pais.

Há uns meses, desabafei no facebook que tinha tentado fazer curd de maracujá com polpa de maracujá de lata e que, mesmo seguindo duas receitas diferentes, não tinha ficado satisfeita com nenhuma. Foram várias as pessoas que me animaram e me incentivaram a experimentar com maracujá fresco, que ia sentir a diferença e que de certeza iria gostar. Algumas até me deixaram a receita, como foi o caso da Luísa, do blog No Mundo da Luisa. Mas a sua receita levava um pouco de amido de milho e eu meti na cabeça que tinha de encontrar uma receita, boa, mas mais simples ainda. Como adoro lemon curd e a minha receita - que está aqui - é óptima e não leva amido de milho, queria uma receita de curd de maracujá idêntica (agora devem estar a perguntar-se porque não segui a minha receita de lemon curd, substituindo o sumo de limão pela polpa de maracujá, certo? Pois, experimentei, mas não resultou).

Mas tenho boas notícias: acho que encontrei a receita de curd de maracujá perfeita! Os maracujás frescos fazem, de facto, toda a diferença. É certo que tive de adaptá-la ligeiramente e incluir... limão. Sumo de 1/2 limão para lhe dar aquele ácido que faz dos curds um manjar dos deuses. Usei-o num bolo de iogurte que descobri no mesmo blog, mas talvez a cobertura de chocolate branco seja too much for me. Bastava-me regar cada fatia com uma dose generosa de curd. Em todo o caso, quem provou, adorou e elogiou!

Um pequeno aviso: se não gostam de sentir as sementes, passem a polpa por um coador tanto para o bolo como para o curd. Eu não me importo e acho que ambos ficam mais bonitos e ricos com as sementes.




















BOLO DE MARACUJÁ E LIMÃO COM CURD DE MARACUJÁ E CHOCOLATE BRANCO
Adaptado do blog Simply Delicious

Para o curd de maracujá:

Cerca de 1 chávena* de polpa de maracujá
2 ovos L
2 gemas de ovos L
Sumo de 1/2 limão
140 g de açúcar
90 g de manteiga partida em cubos (usei Vaqueiro)

*250 ml de capacidade

Juntar todos os ingredientes num tacho ou recipiente próprio e levar ao lume em banho-maria (ter atenção para que a água do recipiente de baixo não toque no recipiente que tem os ingredientes). Mexer continuamente, até a manteiga derreter (no início vai parecer uma mistela esquisita, com a manteiga a parecer que não vai unir-se ao resto do preparado, mas não desistam: quando ficar bem quente, vai ficar uniforme). Quando a manteiga já estiver praticamente derretida, pode usar o batedor de varas e bater energicamente até engrossar (pode ser necessário aumentar um pouco o lume). Quando sentir que está bem cremoso e opaco, pode retirar do lume e verter para um frasco. Deixe arrefecer antes de usar. Aguenta cerca de 2 semanas no frigorífico.

Para o bolo:

250 g de farinha sem fermento
2 colheres de chá fermento em pó
1 pitada de sal
250 g de iogurte natural tipo grego (2 embalagens)
190 g de açúcar
4 ovos L
110 ml de azeite extra virgem suave ou óleo vegetal (usei Vaqueiro líquida)
Polpa de 3 maracujás
Raspa de 1 limão

Pré-aqueça o forno nos 180º. Unte e forre o fundo de uma forma de bolo inglês grande com papel vegetal e unte este também. Numa taça, junte a farinha, o fermento (de preferência peneirados), o açúcar e o sal. Noutra, junte os restantes ingredientes e bata bem. Junte aos poucos os ingredientes líquidos aos secos e mexa só até estarem bem misturados. Verta na forma e leve ao forno cerca de 40-50 minutos ou até um palito sair seco do interior do bolo. Retire, desenforme e deixe arrefecer.

Para a calda, recheio e cobertura do bolo:

Sumo de 1 limão + 2 colheres de sopa de açúcar (ou a gosto)
200 g de chocolate branco + 2 colheres bem cheias de curd de maracujá

Leve ao lume o sumo de limão com o açúcar até este ficar bem derretido, um minuto ou dois.
Quando o bolo estiver morno ou frio, parta-o a meio com uma faca de serrilha, pique a metade de baixo do bolo com um palito e regue com metade da calda. Barre com uma camada generosa de curd de maracujá. Cubra com a outra metade do bolo, pique esta e regue com a restante calda.
Leve a derreter o chocolate branco em banho-maria e quando este estiver bem fluído, junte-lhe o curd de maracujá. Mexa bem e cubra o bolo. Deixe a cobertura solidificar antes de servir (bem frio fica muito bom). Se for guloso, como eu, sirva cada fatia com uma colherada extra de curd de maracujá.



Gulodices fresquinhas. E mais saudáveis do que parecem.


















Parece que o Verão, finalmente, perdeu a timidez e já podemos falar de gelados, bebidas frescas, sopas frias e banhos no mar, sem constrangimentos e sem nostalgia por verões mais extrovertidos. Será?

Espargos fingidos.


















No cabaz semanal da Prove têm vindo doses generosas de feijão verde.
Costumo dar-lhe apenas duas utilizações: sopa, ou então cozido, como acompanhamento, temperado com azeite, vinagre e alho picado (normalmente corto as vagens em pedaços pequenos, na diagonal, e cozo a vapor, no cesto metálico do Ikea).