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31.8.15

Já vos dou o arroz.



















A carne, o arroz e os legumes, tudo num só tacho.
Há dias em que apetece sujar pouca loiça e esta arroz apaellado, à falta de melhor palavra para o descrever, cumpre essa intenção.
É preciso um pouco de ginástica de braços, é verdade, mas aposto que por estes dias, depois de um período mais preguiçoso, seja preciso exercitar os músculos.
É também uma boa receita para 'limpar o frigorífico' e usar os pimentos, os tomates e o feijão-verde da época. Um prato que serviu para experimentar pela primeira vez os fios de açafrão que uma amiga me trouxe de Barcelona, há já algum tempo, e para estrear a minha paellera Le Creuset.
O resultado foi um arroz despretensioso mas rico de nutrientes e sabor, que agradou a todos cá em casa.


Arroz apaellado
Para 6

3 peitos de frango
1/2 limão
4 dentes de alho
2 cebolas vermelhas
2 colheres de sopa de tomate seco
1/2 pimento vermelho
1/2 pimento verde
1 pimento vermelho assado de conserva
1 dúzia de vagens de feijão-verde
1 dúzia de tomates-cereja
200 g de chouriço
350 g de arroz carolino ou arroz para risotto
Cerca de 800 g de água quente
1 colher de chá de fios de açafrão
Azeite
Sal
Pimenta preta
Salsa para servir

Com alguma antecedência, corte o frango em cubos pequenos e tempere com sumo de limão, 2 alhos picados e sal.
Coloque um fundo de azeite no tacho (deve ser grande e baixo), deixe aquecer e junte o frango. Deixe ganhar alguma cor e junte a cebola e os dentes de alho restantes, tudo picado grosseiramente. Deixe cozinhar mais um pouco, até a cebola amolecer, e junte o chouriço. Cozinhe um pouco e adicione o tomate seco picado, seguido do feijão-verde partido em pequenos pedaços. Deixe cozinhar mais um pouco e junte os tomates-cereja e os pimentos partidos em cubos. Tempere com um pouco de pimenta preta e veja se é necessário adicionar sal. Adicione os fios de açafrão e envolva bem. Deixe cozinhar mais alguns minutos e junte o arroz. Envolva bem o arroz nos restantes ingredientes e comece a juntar a água, como se estivesse a fazer risotto.
Vá provando e ajustando os temperos.
Deve demorar cerca de 25 minutos até ficar no ponto, desde que começou a adicionar a água.
Sirva polvilhado com salsa picada.



27.8.15

Figos tardios.







Estava a ver que este ano os figos não iam passar pela minha cozinha.
Desde que fiz e comi esta salada pela primeira vez, todos os anos uma parte de mim deseja que o Verão avance depressa e que mãos amigas me tragam um cesto destas coisas boas.
Mas confesso que já andava desanimada. Via figos no Instagram, figos no Facebook, figos no Pinterest, e aquele cestinho generoso sem aparecer. Até que esta semana, quando já me tinha conformado que este ano a tradição ia ser quebrada, a minha mãe partilhou comigo os figos que uma amiga lhe ofereceu. Fiquei feliz, feliz.

Claro que o primeiro destino foi a tal salada. A seguir, fiz esta galette (eu sei que pode parecer algo herege, mas gosto mais de figos utilizados numa receita do que ao natural).

Apesar de usar com frequência mel em pratos salgados - no molho da salada de figos, por exemplo - nos doces não é um ingrediente que eu aprecie muito. Resolvi dar-lhe uma nova oportunidade, usando-o também na galette, mas definitivamente é a única coisa que irei alterar, quando repetir esta receita: em vez do mel, açúcar amarelo ou mascavado. Em tudo o mais, ficou aprovada à primeira.
















GALETTE DE FIGO E AMÊNDOA

Para a massa:
100 g de farinha de trigo sem fermento
50 g de farinha de amêndoa (pulverizei amêndoa com pele na Bimby)
50 g de manteiga fria
1 colher de sobremesa rasa de açúcar amarelo
1 ovo pequeno

Para o recheio:
3 ou 4 figos fatiados
2 colheres de sopa de mel (ou de açúcar amarelo/mascavado)
1 mão-cheia de amêndoas laminadas


Para fazer a massa, junte todos os ingredientes numa taça grande e trabalhe depressa com os dedos até obter uma massa uniforme (não amasse demasiado, pois vai aquecer a manteiga e tornar a massa mole).
Se achar que está a colar, junte um pouco mais de farinha.
Forme um disco, embrulhe em película aderente e leve ao frigorífico uns 30 minutos.
Pré-aqueça o forno nos 180º.
Polvilhe a superfície de trabalho com farinha, retire a massa do frio e estenda com o rolo dando-lhe uma forma arredondada. Transfira a massa para um tabuleiro anti-aderente ou forrado com papel vegetal e disponha por cima as fatias de figo, deixando uma margem de cerca de 5 cm a toda a volta.
Verta o mel ou salpique com o açúcar, tentando apanhar toda a camada de figos e dobre o rebordo da massa para dentro, a toda a volta da tarte.
Leve a cozer durante cerca de 45 minutos ou até a massa e a amêndoa ficarem bem douradas e a massa ficar firme ao toque.
Sirva simples ou com uma bola de gelado, ou até com uma colherada de iogurte grego.

Mais receitas de galettes (a fruta de ambas é a mesma, mas a massa é diferente):
Galette de framboesa e ameixa
Petit galettes de framboesa e ameixa






16.8.15

Olha o gelado fresquinho!















Esta receita e este texto foram publicados no jornal Observador em 27/05/2015.

Um gelado para mim, um gelado para ti, outro para quem o agarrar.
Chegou o calor e com ele a vontade de passar mais tempo ao ar livre, com coisas frescas por perto. 
Os gelados ganham um estatuto especial nesta altura, sobretudo aos olhos e ao paladar dos mais pequenos, que os colocam no primeiro lugar do top das sobremesas.
Pelo menos cá em casa é assim. Se os deixasse, eram dois e três gelados por dia.
Os gelados de compra são tentadores e não dão trabalho, mas o ideal é deixar esses para quando não estamos em casa e preparar umas versões caseiras para os apetites agudos da época.
Este gelado de baunilha e frutos vermelhos fica delicioso e vale bem o (pouco) trabalho que dá.











GELADO DE BAUNILHA E FRUTOS VERMELHOS
250 g de frutos vermelhos (framboesas e morangos, por exemplo)
60 g de açúcar (ou a gosto)
500 g de mascarpone
200 g de natas para bater (devem estar bem frias)
140 g de açúcar em pó (ou a gosto)
1 colher de chá de extracto de baunilha

Comece por fazer o coulis de frutos vermelhos: lave e parta a fruta em pedacinhos e leve ao lume num tachinho com o açúcar. Deixe cozinhar até o açúcar estar dissolvido e a fruta desfeita, uns 8/10 minutos. Passe por um coador e reserve.
Numa taça, bata o mascarpone com o açúcar e o extracto de baunilha.
Bata as natas com a batedeira elétrica até obter picos bem firmes.
Junte o mascarpone e bata mais alguns segundos com a batedeira, até ficar um creme uniforme.
Espalhe um pouco de coulis de frutos vermelhos no fundo do recipiente onde vai colocar o gelado. Espalhe a mistura de mascarpone e natas.
Verta um pouco de coulis por cima e, com um garfo, mexa um pouco o gelado, fazendo escorregar o molho para o meio do creme.
Alise e termine espalhando o restante coulis.
Leve ao congelador até solidificar — o ideal é fazer de véspera.
Retire do congelador cerca de 15/20 minutos antes de servir.

Nota: pode usar a máquina de gelados para garantir uma textura mais cremosa.

29.7.15

Viajar sem sair do lugar.






Finalmente consegui estrear a minha tagine (ou tajine) Le Creuset.
E finalmente comecei a dar uso aos limões em conserva (os famosos preserved lemons que tanto vemos no Pinterest e nos blogs estrangeiros), preparados por mim há cerca de dois meses, mantidos quietos no frigorífico, após os quinze dias iniciais de hibernação num armário.

Para a receita dos limões em conserva, basta fazerem uma pesquisa no google e vão ter muito por onde escolher, com ligeiras variações entre cada receita. Eu acabei por seguir esta, mas depois lembrei-me que no Marmita também há uma receita catita, ora espreitem aqui.

Para o frango, não segui nenhuma receita especial, apenas quis que tivesse um toque marroquino, que seria reforçado pelos limões em conserva. Como não cozinhei em casa, e não quis levar muita coisa comigo (a tagine já é bem pesada!), no que toca a especiarias usei apenas a mistura Marrocos da Margão, que é bem rica e perfumada, à base de coentros e cominhos.

Adorei o resultado final e ainda que o frango tenha ficado muito claro para o meu gosto (da próxima vez tenho de deixar cozinhar mais antes de juntar o caldo e tapar), o sabor do limão em conserva foi surpreendente. É subtil e vibrante ao mesmo tempo, muito diferente do sabor do limão fresco.

Aconselho mesmo a fazerem um frasco de limões em conserva, é muito fácil. O que custa mais é ter de esperar para poder usá-los! Não se esqueçam de que no momento de os utilizar, estes devem ser passados por água, para retirar o sal, e a sua polpa deve ser descartada, usando-se apenas a casca.

Quanto à panela, é realmente especial. A sua tampa cónica faz com que o vapor, ao subir, condense ao contactar com as paredes e volte para o cozinhado em estado líquido, permitindo um estufado lento e cheio de sabor.

Daqui a alguns dias volto ao campo, de férias, e a tagine já vai lá estar, preparada para novas viagens.















TAGINE DE FRANGO COM AZEITONAS E LIMÃO EM CONSERVA
Para 4 pessoas

8 porções de frango (usei pernas e coxas, sem pele)
1 cebola
2 dentes de alho
1 limão
2 colheres de chá da mistura 'Marrocos' da Margão
1 chávena de azeitonas pretas descaroçadas
1 raminho de coentros frescos
1/2 limão em conserva (os meus preserved lemons eram grandes, daí ter usado apenas 1/2)
Azeite qb
Sal qb
Cerca de 300 ml de caldo de legumes*

Com algumas horas de antecedência ou até de um dia para o outro, tempere o frango: coloque-o numa taça e regue com sumo de limão e azeite, tempere com sal e a mistura de especiarias. Junte ainda o alho picado. Envolva bem o frango nesta mistura, tape a taça com película aderente e leve ao frigorífico.
Quando for cozinhar, regue o fundo da tagine com um fio de azeite e junte a cebola partida em meias-luas. Quando começar a querer alourar, junte o frango, reservando a marinada. Quando o frango tiver ganho cor, junte as azeitonas e 1/4 de limão em conserva partido em tiras finas (depois de passado por água e de lhe ter sido retirada a polpa). Adicione o caldo e o que sobrou da marinada, junte metade do ramo de coentros e tape, deixando cozinhar no mínimo cerca de 1h30. Findo este tempo levante a tampa e se ainda tiver muito líquido, deixe cozinhar destapado cerca de 15 minutos ou até se ter evaporado a quantidade de líquido pretendida. Prove e acrescente sal, se necessário. Antes de servir, salpique com mais coentros picados e tiras de limão em conserva. Acompanhe com cuscuz simples.

*Fiz um caldo rápido e básico, com o que tinha na altura: uma cenoura, uma cebola, dois dentes de alho esmagados, algumas folhas de aipo e algumas hastes de salsa, uma folha de louro e sal. Levei tudo a cozer numa panela pequena com água, cerca de uma hora, até estar tudo bem cozido e o líquido ter reduzido bastante. Antes de usar, coei a quantidade necessária.